A Terapia pode ser a resposta
- susana silva
- 6 de jan.
- 3 min de leitura
Há dias em que tu própria te convences de que está tudo bem.
Não por mentira. Por competência.
Fazes, resolves, organizas, susténs. E há uma parte de ti — aquela parte treinada para não falhar — que consegue manter a vida a andar, mesmo quando por dentro já vai tudo em esforço.

O problema é que o corpo não tem a mesma facilidade para fingir.
O corpo não “pensa” como tu. O corpo responde. E responde com uma honestidade quase crua: no sono que não aprofunda, na digestão que se tornou sensível, na tensão que mora no pescoço e nos ombros, na cabeça que fica ligada mesmo quando a casa está em silêncio, no cansaço que não melhora com uma noite “inteira”, na irritação que aparece sem pedido de licença, naquela sensação estranha de estares sempre um pouco atrasada de ti.
Há um tipo de exaustão que não nasce do que fazes — nasce do que susténs. Do que calas. Do que conténs para continuares a ser “a pessoa que dá conta”.
E isto não é poesia. É biologia.
Quando o sistema nervoso vive tempo demais em prontidão, o organismo reorganiza-se. Não por falta, mas por adaptação. A tua fisiologia aprende a antecipar: a ler sinais, a evitar riscos, a manter-te funcional. E durante algum tempo, isso até parece “força”. Só que, mais cedo ou mais tarde, o custo aparece onde a vida é mais física: no descanso, na imunidade, na inflamação, na energia, na forma como digeres o mundo — literalmente e emocionalmente.
Muitas pessoas chegam até mim com a sensação de que estão “sensíveis demais”. Eu não vejo sensibilidade a mais. Eu vejo um corpo a viver demasiado tempo sem segurança interna.
E aqui há um ponto importante: segurança não é um pensamento. Não é uma frase bonita. É um estado do corpo.
É por isso que a Terapia Psiconeurobiológica existe, e é por isso que ela é diferente quando é bem feita. Porque ela não se limita a falar sobre emoções — ela respeita o impacto real que as emoções têm no sistema nervoso e na biologia. Integra o que sabemos da psicologia, da neurologia e da biologia humana, e traduz isso para um processo prático: compreender o teu padrão, regular o teu organismo e devolver-te espaço interno.
Em consulta, eu não te “encaixo” num rótulo. Eu escuto o corpo contigo. Escuto a tua história sem dramatizar, mas sem a minimizar. E começo por aquilo que está vivo agora: como dormes, como reages, onde te tens, como recuperas, o que te acende por dentro, o que te apaga, o que te prende. A partir daí, construímos um mapa claro — não para te tornares dependente dele, mas para deixares de andar às cegas.
Porque quando compreendes o padrão, o corpo já não precisa de gritar.
Depois trabalhamos a regulação — não como um “acalmar à força”, mas como uma reeducação do sistema nervoso para sair da prontidão e voltar à reparação. E aqui entra uma dimensão que eu considero essencial e muitas vezes mal compreendida: a consciência.
Consciência não é espiritualidade vaga. É uma capacidade treinável de observar o impulso antes da reação, de reconhecer o gatilho antes de te dominar, de escolher uma resposta antes do corpo te arrastar. E quando essa capacidade se instala, a biologia começa a mudar. Não de forma mágica. De forma mensurável: mais sono reparador, menos tensão basal, mais tolerância emocional, mais clareza, mais energia estável.
O objetivo não é que sejas “zen”. É que voltes a habitar-te.
Que o descanso seja descanso. Que o corpo pare de viver como se estivesse sempre a preparar-se para o próximo impacto. Que a tua vida volte a ter margem — e não apenas desempenho.
Se este texto te tocou, talvez seja porque já reconheces algo em ti que não tens conseguido nomear. E não precisas de continuar sozinha nesse lugar.
Estou a abrir agenda para novas consultas de Terapia Psiconeurobiológica. Se quiseres trabalhar isto comigo, envia-me uma mensagem por whatsapp. Eu respondo-te com honestidade: se é indicado para ti e qual seria o primeiro passo.
Se chegaste até aqui, o teu corpo já te contou alguma coisa.Agora pode finalmente ser ouvido com método, rigor e cuidado.








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