Trauma: quando “já passou” por fora… mas o teu corpo ainda dá sinais
- susana silva
- há 2 dias
- 2 min de leitura
Tu podes estar a trabalhar, a cuidar dos teus filhos, a fazer a tua vida “normal”… e, mesmo assim, sentires que há qualquer coisa em ti que não baixa a guarda.
E depois vem a culpa:“Eu não devia estar assim.”“Já passou.”“Há pessoas pior.”
Mas o trauma não se mede com lógica. Mede-se com os sintomas do teu corpo.

Quando algo foi demasiado, demasiado rápido, demasiado solitário — o teu corpo aprende uma regra simples: não é seguro relaxar. E, a partir daí, ele passa a proteger-te mesmo quando tu já só querias viver.
Como é que o trauma aparece no dia a dia?
Nem sempre é “lembrar o que aconteceu”.Às vezes é só isto:
acordas cansada, mesmo dormindo;
estás sempre “a mil”, mas por dentro sentes-te vazia;
irritas-te com pouco e depois ficas a remoer;
sentes o peito apertado, a barriga instável, a tensão no corpo;
tens dificuldade em confiar, em delegar, em parar;
queres estar bem… mas o teu corpo reage como se estivesse em perigo.
Isto não é fraqueza.É um corpo competente a tentar impedir que tu voltes a sofrer.
O que a psiconeurobiologia te ajuda a perceber (sem culpas)
O teu cérebro tem um sistema de alarme.Quando ele aprende “perigo”, ele fica mais sensível a tudo: sons, olhares, silêncio, conflitos, notícias, discussões, pressão no trabalho.
E o corpo acompanha:respiração curta, músculos tensos, sono leve, digestão reativa.
Tu não estás “demasiado sensível”.
Tu estás demasiado tempo em modo sobrevivência.
A parte que ninguém te diz: não se cura trauma à força
Não é “pensar positivo”.Não é “ser forte”.Não é empurrar para baixo e seguir.
Trauma começa a aliviar quando o teu sistema nervoso recebe uma mensagem repetida, por dentro:
“Agora eu posso abrandar.”“Agora eu posso estar aqui.”“Agora eu estou segura o suficiente.”
E isso aprende-se. Com método. Com prática. Com respeito pelo teu ritmo.
Um exercício rápido (para quando sentires o corpo em alarme)
Faz isto em 40 segundos, sem perfeccionismo:
Põe uma mão no peito.
Faz 3 expirações longas (como quem solta peso).
Olha à tua volta e diz por dentro:“Eu estou no presente.”
E acrescenta:“O meu corpo está a tentar proteger-me. Eu não vou lutar contra ele. Eu vou guiá-lo.”
Isto não é “mágico”.É neurobiologia aplicada: estás a ensinar o cérebro a sair do modo ameaça e a regressar ao agora.
Se isto te tocou…
Talvez tu não precises de “aguentar mais”.Talvez tu precises de um espaço onde o teu corpo finalmente aprenda a baixar a guarda — sem medo, sem pressa, sem julgamento.
Se quiseres, eu posso ajudar-te a compreender os teus sintomas, a regular o teu sistema nervoso e a reprocessar o que ficou preso — com uma abordagem informada pela psiconeurobiologia, PNL (simplificada) e uma leitura clínica, segura e humana.




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